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"você não tem direito de usar esse rosto. você não é aquele que pretende ser. vamos botar ordem nisso. vamos destacar de seus ossos a pele desse rosto, que você roubou." Conversas com Kafka, G. Janouch

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Saindo do mundo imaginário

Aos dez anos descobri uma vida nova. Passei de feto para gente. Cresci, inovei, criei, brinquei, fiz fofoca e me arrumei do jeito que consegui.
Troquei as bonecas, meu último dente de leite e as músicas infantis por filmes de horror. Dancei, sorri e desejei crescer. Crescer mais e mais, até alcançar o céu, até levantar vôo da terra.
Desejei ser alguém, ser ouvida, não ser mais uma criança, e começar a fazer invés de só imaginar. Desejei um novo mundo. Comecei a pensar sobre a vida, sobre tudo, pensar sobre o futuro e o agora e deixar o passado no passado.
Mas no fundo não sabia bem o que desejava. Não sabia que ao meu lado andava a vida, a vida que não era só conto de fadas, que era também falsa e traiçoeira, sempre carregando um toque de surpresa e receio.

Essa vida que até hoje me causa calafrios. Medo do futuro, medo do agora, medo de viver, e principalmente de não viver. Esquecer de tudo aquilo que jurei ser eterno, e levar comigo a vingança, a cobiça, a dor, o arrependimento e a magoa.
Meu segundo tropeço pela vida foi aos nove, um tropeço um pouco maior que o primeiro, que pode ter começado aos nove, mas não acabou por ali. E aos dez passou de uma pedrinha no sapato, para um buraco nas solas dos pés. Os problemas que antes não existiam no meu mundinho particular passaram a existir até demais, e eu só queria ficar cega para não ter que enxergar afundando tudo aquilo que tanto cuidei e plantei com amor e carinho.

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