Quem sou eu

Minha foto
"você não tem direito de usar esse rosto. você não é aquele que pretende ser. vamos botar ordem nisso. vamos destacar de seus ossos a pele desse rosto, que você roubou." Conversas com Kafka, G. Janouch

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Consciência

Ser consciente
Ser inteligente
Ser, não fingir

Será mesmo bom?
Conseguir ser você
Conseguir entender

Ter consciência será um dom?
Ou será só mais um nome
para a loucura?
Mais uma nomeação

Nessa selva
Onde são bolados pensamentos
Consciente, me dou conta
Não sou eu, o mundo que é louco

Laura


Da vida sem você
Seria impossível me lembrar
Estamos nessa há tanto tempo
Que mal posso imaginar

Durante toda a nossa infância
Você sonhava
E eu desiludia
Totalmente realista

Hoje caminhamos juntas
Vivendo em um eterno debate
Nos perguntando a cada dia
Qual será a realidade?

Você me ensinou a pensar
E comigo pensou
Disso que sou grata
Grata por não me deixar só,
louca ou alienada

Te ajudo

Coragem
Cabeça erguida
Pés no chão

A vida continua
Está tudo
nas suas mãos

Me siga
Que te levo comigo
E te mostro o caminho

Não se assuste
Se arrisque
Bicho papão não existe

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Preto no Branco

Tão diferentes
Tão opostos
E me pergunto:
Pode dar certo?

Você
colocando meus pés nos chão
E eu
te ensinando a voar

Me pergunto se pode dar certo
A água com o vinho
O preto com branco
O ateu com religioso

Vamos tentar
Vamos conseguir
Me de uma chance
Pra eu te fazer feliz

Amanda

É incrível como me lembro
Da nossa primeira grande conversa
Dos segredos mais secretos
Das mais altas gargalhadas

Mais incrível ainda é
Que quando é você quem fala
O que todos os outros já tentaram falar
É só então, que paro de verdade para escutar

Demoramos a nos encontrar
Mas hoje, não sei muito bem como
Somos tão diferentes separadas
Que juntas nos completamos

Seu futuro já lançado
Com minha vida atrapalhada
Parecem terem sido feitos um para o outro
Criando uma emboscada

A sintonia do mundo
Nos fez parar no mesmo lugar
E mesmo que destino não exista
O meu será sempre te amar

Sonhar

Levanto os pés do chão
E sonho
Sonho para não morrer
Parar o coração não parar de bater

Sonho
Para não me contentar só com sonhos
E tentar mudar a realidade
Que é esse grande pesadelo

Tentativas pré-fracassadas

Quero mudar
Jogar meu egocentrismo no lixo
Parar de odiar
Começar a amar,
Algo, alguém

Ser uma pessoa melhor
Ser gente
E no meio de tantas vozes
Ouvir
Ser ouvida

Quero dar
Não receber
Tentar melhorar
E finalmente ver mudar
Ser parte do mundo

Quero inovar
Conseguir
Invés de só sonhar
Ser sempre eu mesma
Mas não ser igual pra sempre

Cilada

Amigos,
Conhecidos,
Desconhecidos.
Você sabe o querem dizer?

Relações humanas
são mesmo complicadas
Me sinto sozinha
Mas quando vejo, estou cercada

Será que sou eu?
Ou mundo é mesmo
uma grande cilada?
Uma sintonia bagunçada

Querida

Querida,
Acho que te subestimei
Nunca pensei que seriamos
o que hoje somos
Que ao seu lado me sentiria segura

Nunca imaginei
Que com você não teria
vergonha de chorar
De contar desabafos

Querida
Me perdoe pela falta de confiança
Mas fui assim até hoje
Até a hora de te encontrar


Ainda não posso garantir
que seremos para sempre
Mas posso garantir
que para sempre vou te amar
Para Mariana Falconi

terça-feira, 27 de julho de 2010

Como se fossemos invisíveis



Vamos dançar
Esquecer os outros
Esquecer as aparências

Vamos deixar a música
dizer o que precisa
Em notas, melodias e letras

Vamos pensar
que não é só música
E fazer de conta
que é uma busca pela vida nova

Incertezas

Te garanto
Que as pessoas sofrem
Que todos temos nossas necessidades
e que todos temos problemas
Que felicidade é questão de opinião
Que amor é questão de opinião

Te garanto
Que daqui a 10 anos você
será diferente de agora
Que nem tudo na vida passa
Que um dia você vai morrer
Que um dia todos vamos morrer

Te garanto
Que as pessoas mudam
Que o tempo não para
Te garanto
Que certezas não existem

Um anjo?

Gostaria de ter te transformado
em um cavalheiro,
Te mostrado a boa música
Te ensinado a pensar
Ter te feito filosofar

Tenho certeza
Que você seria uma boa pessoa,
muito acima da média
Que você mudaria o mundo,
mesmo que com detalhes

E mesmo com todos
os impedimentos saiba,
Que se aprendi a sorrir,
Se hoje sei que posso continuar,
Foi graças a você

Penso

Penso em pintar as paredes,
em voltar a usar maquiagem
Penso em virar rock star,
em ir dormir quando o sol raiar


Penso em verdades,
segredos e ambições
Penso em revolução,
e em mentiras

E é então que penso
Penso em não pensar
em aceitar o mundo

Parar de sonhar?

Não posso me conformar
que a ignorância hoje seja sagrada
E penso, mesmo que fique maluca
Penso, porque não pensar que seria loucura

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Partida

Da sua risada já esqueci o som
Da sua voz também não me lembro
Muito menos do seu jeito de andar

Mas nunca me esquecerei do seu sorriso
e do modo de pensar
Seu otimismo sempre vibrante
e maneira de se aventurar

Com carinho quero lembrar dos
poucos anos que tive ao seu lado
E com todas as forças tentar acreditar

Que para tudo tem na vida tem razão

Imensidão



Será a verdade mesmo verdadeira?
Ou só mais um mito?

Será que existem finais felizes?
Porque vilões são reais
e tragédias também são

Vamos descobrir um sentido para vida?
Você vem comigo?

Vamos descobrir a verdade!
Isso se ela nos der permissão...

Vem comigo, vamos nos arriscar
Vamos ficar loucos juntos

Porque nessa loucura que é pensar
Eu me vejo tão sozinha no mundo

Jogo de luzes

É um tanto dramática
Estressada e orgulhosa
Faz terapia ás quinta-feiras
Andar por São Paulo
é uma espécie de passatempo
Já fez dança de rua
Natação, capoeira e judô

Filhos não estão em seus planos
Muito menos o casamento
Salvar o mundo era sempre o primeiro item de sua lista
Um pouco incompreendida
Acredita na outra vida
Acredita em destino

Sonhos a alimentam
A vida desencoraja
Tudo a diz para desistir
E ela só quer tentar mais
uma última vez
Não existem vítimas
Existem protagonistas

Para ela o imaginário não é tão imaginário
A vida, um jogo de luzes
As pessoas piões animados
Coisas ruins não se esquecem

Se fazem de conta que não aconteceram

Há luz no fim do tunel

Depois de um dia horroso com péssimas lembranças, vozes e imagens que não saem mais da sua cabeça, você acorda. Abre os olhos e ve a luz do sol nascedo, marcando o inicio de um novo dia.
Acorda e se dá conta que as lembranças agora não passam de lembranças. O dia nasceu, e o ontem não pode mais voltar, passou, passado.
E nesse momento sente aquele alivio de não existir maquina do tempo. Passou pro aquilo tudo e sobreviveu. Agora está mais forte do que nunca, se sente uma nova pessoa, uma pessoa mais decidida e confiante.
Esse é com certeza seu melhor dia, está feliz e bem humorada, radiante. Nada pode extragar seu dia. E é então que enxerga que problemas não são de todo mal. Que o ruim pode se tornar bom, basta acreditar.

Parabéns você conseguiu fazer um dia ruim se tranformace em um dia bom e não multiplica-lo.

Depoimento de Isabela Vazquez

“Não somos o que as pessoas vêem, não somos as roupas que usamos e muito menos o jeito de falar. Não somos o modo de tirar foto, o modo de escrever, a escola que estudamos ou se usamos tal marca.
A Bia pôde me mostrar que atrás daquela menina com cara de ingênua que faz tudo correto e que não sabe o que é a vida, ela se mostrou o oposto. Mostrou que nesse caso, ela merecia ter 30 anos só pela cabeça que tem. Que ela sabe muito bem o que é a dor e o que é a alegria. O que é estar sozinha e o que é ter companhia. O que é mesmo chorar e o que é rir. Ela sabe diferenciar qualidades de manias. Que aquela pessoa talvez só tenha cara que gosta de amarelo e dentro ela ama mesmo o roxo.
A Bia além de ser a pessoa mais incrível e doce que eu já vi, ela tem a paciência que eu não tenho, a calma pra fazer as coisas que eu também não tenho, o amor que mesmo não sendo um dos mais legais com ela, ela faz questão de expor e dar pra todo mundo. A vida pode não ser a mais legal com ela também e ela pode estar no pior dia do mundo, ela sempre vai te dar atenção. A Bia é uma pessoa rara, que não se encontra em qualquer lugar, e que eu tenho certeza que poucos são iguais a ela. Na verdade, não existe ninguém que se compare a Bia, ela tem um brilho especial, e é por isso e por outras que eu faço tudo pelo bem dela, e tudo para vê-la sorrindo.
''É dentro dos pequenos frascos, que estão os melhores perfumes''.

Beijos com amor, Isabela Vazquez"

Pulando e Viajando


Cabo Verde, RJ
http://www.pulandoeviajando.com/


viajar, sonhar, planejar
viver, aprender.


vamos ambliar nossos horizontes hoje?
vamos conhecer? pessoas, lugares...
vamos descobrir? segredos, esconderijos...

planejar, pensar, sentar
morrer, se contentar.

quem sabe outro dia...

Foto de Adail Moreira



O que se esconde por trás de uma foto?
A foto esconde seu fotografo,
Esconde a realidade e congela o mundo

A foto esconde, mas ao mesmo tempo
revela e atiça a imaginação
Conta uma conversa
onde o silencio é quem fala

A foto dirige uma busca
A busca por outros mundos
Mesmo sendo em si
Um mundo paralelo

Tem que fazer tudo para parecer normal...

“Quanto mais tentar ser sã, mais maluca começa a parecer. Se sorrir muito está delirando, está histérica. E se não sorrir, está deprimida. Se permanecer neutra, está emocionalmente reclusa ou potencialmente catatônica.”
A Troca, de Clint Eastwood

Saindo do mundo imaginário

Aos dez anos descobri uma vida nova. Passei de feto para gente. Cresci, inovei, criei, brinquei, fiz fofoca e me arrumei do jeito que consegui.
Troquei as bonecas, meu último dente de leite e as músicas infantis por filmes de horror. Dancei, sorri e desejei crescer. Crescer mais e mais, até alcançar o céu, até levantar vôo da terra.
Desejei ser alguém, ser ouvida, não ser mais uma criança, e começar a fazer invés de só imaginar. Desejei um novo mundo. Comecei a pensar sobre a vida, sobre tudo, pensar sobre o futuro e o agora e deixar o passado no passado.
Mas no fundo não sabia bem o que desejava. Não sabia que ao meu lado andava a vida, a vida que não era só conto de fadas, que era também falsa e traiçoeira, sempre carregando um toque de surpresa e receio.

Essa vida que até hoje me causa calafrios. Medo do futuro, medo do agora, medo de viver, e principalmente de não viver. Esquecer de tudo aquilo que jurei ser eterno, e levar comigo a vingança, a cobiça, a dor, o arrependimento e a magoa.
Meu segundo tropeço pela vida foi aos nove, um tropeço um pouco maior que o primeiro, que pode ter começado aos nove, mas não acabou por ali. E aos dez passou de uma pedrinha no sapato, para um buraco nas solas dos pés. Os problemas que antes não existiam no meu mundinho particular passaram a existir até demais, e eu só queria ficar cega para não ter que enxergar afundando tudo aquilo que tanto cuidei e plantei com amor e carinho.

Do outro lado


Se você se for, promete voltar?
Me contar os segredos da vida
O alivio da morte
O silencio da partida

peça - primeiro ato

(Entra no palco, pelo lado direito, uma menina, de aproximadamente 13 anos, caminhando com uma mochila e fones de ouvido, movendo a cabeça no ritmo de uma música qualquer e com os olhos fechados.
Por volta de 10 segundos após a menina entrar no palco, já na metade dele, ela abre os olhos, olha para o lado esquerdo e depois para o lado direito, olha para frente novamente, fecha os olhos, morde a boca, mexe a cabeça e os ombros, faz com a mão direita indo para os ombros, peito e cabeça, uma cruz. Abre os olhos, corre, deixa a mochila também no canto esquerdo, e corre de volta para onde estava, mas agora virada para platéia.
Começam a passar pessoas atrás dela, entrando por ambos os lados, seguindo reto e saindo pelo oposto. O fluxo de pessoas aumenta a cada minuto.
A menina fecha os olhos mais uma vez. Mexe seus ombros para trás junto de sua cintura em um ritmo constante. Ela começa a dançar, movendo todo o corpo, inclusive sua cabeça, ela vai de um lado para o outro, e se for preciso, muda sua posição no palco, andando para o lado ou para trás. Os movimentos começam a ficar mais calmos.
Uma música começa a tocar no teatro, enquanto a menina dança, e as pessoas continuam passando. Existe uma mudança de música a cada 30 segundos, mas a primeira a tocar é Time - Pink Floyd, a música começa no minuto 2:26 e acaba no 2:58.)


O "tic-tac" vai marcando cada momento de um dia morto, você gasta à toa e joga no lixo as horas, descontroladamente. Perambulando de um lugar para outro em sua cidadenatal, esperando por alguém ou alguma coisa que te mostre o caminho.

(A menina grita a música em português, enquanto balança a cabeça e dança.
Duas pessoas a observam, enquanto algumas desviam o olhar e depois voltam para o seu caminho.
A música muda.

Entra no palco, pelo lado direito, um menino, de aproximadamente 16 anos, caminhando com uma mochila e fones de ouvido, movendo a cabeça no ritmo de uma música qualquer e com os olhos fechados.
Enquanto isso a menina continua dançando no palco.)

Quarenta coisa para saber sobre mim


Tenho medo de altura; amo Peter Pan; não sei mentir; já pintei o cabelo e deu errado; sou de touro; meus pais são separados; nunca sai do país; odeio cavalos; fiz primeira comunhão; é a primeira vez que mudo de escola; não gosto de falar com atendentes; o mundo me encanta, apesar de tudo; quero entrar em uma sociedade secreta; não raciocino rápido; já fugi de casa; acreditava em supertições; assistia Lost; já tive uma festa surpresa; não gosto de muitas pessoas; já fiz filmes pro youtube; amo leite com ovomaltine; já sonhei em abrir um cinema; já levei mordida de ponei; tenho dois dreads; já fui explusa de casa; não sou religiosa; meu gosto musical é bem eclético; sou apaixonada por filmes europeus; quero conhecer a Colômbia; tempos modernos me irritam; me apego e desapego fácilmente; já comi ovo cru; amo sentir medo; meu humor muda constantemente; choro em desenho animado; não me vicio fácil; tenho fome de madrugada; minha memoria é ruim; faço listas e não cumpro; talvez não acredite em nada, mas mesmo assim vivo.

Set me free

Se tamanho não é documento, idade também não deveria ser. Quero dirigir com 13 anos, pilotar avião aos 15 e com 18 pode abortar! Quero um país livre para poder beber e fumar a idade que a minha cabeça mandar, quero ir levando a vida intensamente, até porque nunca sabemos quando ela pode acabar... Quero jogar em Las Vegas na minha viagem de 15 e talvez perder a casa que eu posso e comprei com 12, e em seguida, me casar com 16! Não quero ninguém me dizendo que sou pequena, de menor ou muito grande e não posso entrar, quero beber onde quiser e se resolver fazer sexo na rua, quero ter esse direito!
Quero correr pelada pro ai dos 3 aos 70 e ninguém me dizendo que sou velha demais. Quero vender cds piratas com 11 e ir presa sim, porque tenho idade para isso. Quero poder ter amigos de 80 anos sem acharem estranho, e ter amigos de 5, sem ser julgada por isso ou aquilo. A idade não importa. Quero minha vida agora sem ter que esperar mais dez anos para isso, ou já ter vivido de mais e não poder mais fazer nada. Eu quero poder votar aos 9 e ser presidente aos 14.

Quero viver minha vida agora e não a da minha mãe, do pai ou de quem quer que seja, quero casa própria, emprego fixo, quero mudar o mundo, adotar crianças, casar em Las Vegas com meu papagaio! Quero me drogar, ficar louca, aloprar, quebrar as cadeiras, arrebentar a boca do balão e sempre correndo pelada, porque sempre fizeram questão de me dizer que esse era um País livre, um mundo onde sou livre.

Como minha mãe costuma dizer: só existem duas idades, ou se está vivo ou morto.

Crescer

Sempre pensei que crescer fosse sinônimo de fazer aniversario, completar anos, ficar mais velho, com mais rugas ou espinhas, e que a idade traria experiências, e quanto mais aniversários completasse mais estaria crescendo e assim amadurecendo. Hoje penso diferente, crescer não seria apensas números. Não tenho mais tanta certeza que quando se é adulto se é automaticamente responsável, feliz e completo.
Não importa se você se quer completou o segundo ano ou entrou na faculdade aos dezesseis, a felicidade não é uma coisa que se aprende ou conquista na escola, muito menos a experiência. São coisas assim que a vida te trás e é uma escolha sua aceitá-las com os braços abertos ou ignorá-las.
Quando ainda somos pequenos nossos pais nos ensinam o que é certo ou errado, nos apresentam a vida e valores que devemos seguir. Alguns desses valores nós adotamos e outros, com o tempo, modificamos ou simplesmente jogamos fora. E nesse mesmo tempo nossas relações mudam, e passamos a ver a vida com outros olhos.
Cada novo obstáculo nos faz crescer, como a cada pedrinha que cruza o nosso caminho, pedrinhas que podem ser saltadas, ou desfiadas até uma maior aparecer. A vida não é tão simples quanto parece, e também não é tão complicada como dizem. Saber lidar com essas pedrinhas que aparecem no nosso caminho é sempre a solução. Não existem problemas grandes ou pequenos, todos são problemas, e cada um os vê com a intensidade que quer.

Realidade disfarçada

Até onde as coisas são reais?
Você está mesmo acordado?
As cores são mesmo do jeito que você as enxerga?
A realidade não passa de mais um fruto da nossa imaginação
A realidade não passa de mais um nada
Um ninguém
Uma falta

Existir é necessário, ás vezes

Todos os dias eu acordo em uma cama que não é minha, em um quarto que não me pertence, vivendo uma vida sem ser parte dela. Tudo não é mais que uma enorme confusão. Me olho no espelho e não me vejo, apenas me sinto perdida no meio de tanta gente, mesmo não vendo ninguém ao meu redor. Tenho a sensação que todos são tão diferentes de mim, será que fiquei maluca?
Estou no lugar errado, não devia estar fazendo isso. Vivendo as coisas do jeito que estou, pensando no que penso. Está tudo de ponta cabeça.
É estranho, bizarro, não sei explicar, só sinto. Uma sensação diferente, única talvez, mas muito, muito aflitiva. Quero sempre fugir achando que não estou onde devia, que esses não são meus amigos e essa não é minha família. E só quero fugir para encontrar, achar aquilo que está me faltando, aquilo que me faz ficar tão aflita e inquieta.
Quero fugir e em algum lugar achar a mim mesma, andando pro ai, cruzando uma esquina qualquer, dentro de algum bar ou no final de um beco escuro.
Algo anda errado e preciso fazer alguma coisa a respeito...

A festa da morte




Pra que sofrer com a morte,
com a perda, a partida
Os reais infelizes sempre seremos nós.

Nós que somos prisioneiros
das medíocres vidas que levamos
Nas quais nossos sonhos são assassinados
antes mesmo que possamos impedir.

Mais uma vagabunda

A cada ano que passava ela ia piorando, ela ia decaindo, sempre prometendo melhorar da próxima vez. Os tempos foram passando e apenas as promessas e dificuldades permaneciam, ela se esquecia, esquecia de tudo e deixava a vida ir levando. As notas foram caindo, as broncas foram aumentando, os professores começaram a reparar, de boa aluna ela se tornou mais uma ‘vagabunda’. As coisas foram acontecendo e ela não percebia, ela errou tanto e acabou desistindo, desistindo das lições, desistindo das aulas, desistindo de um ‘futuro promissor’. Foi sem querer que tudo aconteceu, foi sem intenção, foi uma coisa idiota e sem razão, cada ano, cada mês, a cada dia que passava os problemas aumentavam. E no final das contas ela não conseguia mais pensar na escola, não conseguia mais ver motivos para tirar notas altas, não entendia porque história, matemática ou educação física eram mais importantes que a vida, eram mais importantes do que problemas e coisas reais que estavam acontecendo naquele momento.
Ela não era do tipo que pensava no futuro, e sim do que achava que não viveria tempo o bastante para desenvolver uma ‘careira’, e já que não acreditava muito em nada disso, porque se importaria tanto com o colégio? Na cabeça dela não fazia sentido perder uma hora fazendo uma lição enquanto ela poderia estar andando por ai, ela podia estar com outros amigos, ajudando alguém, observando a cidade, vendo o tempo passar e ninguem notando isso. Era tudo diferente agora, tudo era tão intenso e importante, necessitava de toda a atenção do mundo, a escola? A escola teria que esperar um pouco mais, esperar a poeira baixar, as coisas se acalmarem e os problemas diminuírem, porque naquele momento os estudos eram a coisa mais insignificante que ela poderia pensar.
Na escola, enquanto as notas quase desapareciam e as recuperações eram mais do que já havia tido na sua vida inteira, ela não ligava mais para absolutamente nada, pensava no agora e o amanha ficava pro conta do destino. No fundo até que se sentia mal pro seu péssimo desempenho, bem no fundo ela gostaria de ser a melhor aluna da classe, de tirar notas boas e ser um orgulho para seus pais, mas isso era apenas um desejo estúpido. Afinal, ela já havia tirado notas boas, mas não era a pessoa mais esperta do mundo, ela não conseguia dar conta de tudo, era meio desorganizada e desleixada. Não tinha capacidade o suficiente para ir bem na escola e na vida social e familiar, ela não conseguia se quer dar conta apenas dos seus problemas, ela complicava tudo, não sabia direito o queria, não sabia direito como conseguir.
Enquanto seus amigos faziam lição ela ia para o computador, e quando as pessoas a perguntavam o que ela gostaria de ser, ela respondia psicóloga. Respondia sem a menor intenção de se formar, de cursar a faculdade, ela respondia de um jeito seco e sem emoções, apenas queria aprender sobre a vida, queria compreender os outros, ela queria compreender a si mesma. E se esforçava para isso, se empenhava naquilo que achava importante para conseguir entender tudo aquilo que queria, ela não era burra ou ignorante, podia até parecer, mas sabia bem o que fazia, fazia escolhas, e acima de tudo, ela construía sua vida, sua vida que estava acontecendo naquele momento e não o que poderia acontecer daqui a alguns anos.